

Revista Nida'ul Islam
O Casamento Temporário, Também
Chamado Mut'a!
A gradual implementação da
orientação islâmica é um dos conceitos básicos e fundamentais sobre os
quais o Islã foi construído, para que assim as pessoas fossem
preparadas para sua aplicação sem choques ou surpresa. Desse modo a
implementação das injunções era menos desgastante. Tal gradação
requeria a permissibilidade de certos atos como uma medida temporária
para lidar com certas situações e circunstâncias. E tal permissão
terminava quando o propósito ao qual serviam não era mais necessário.
Quando a lei de Allah foi totalmente revelada, ela permaneceu
aplicável até o Dia do Julgamento. Nossa lei divina foi completada com
as palavras do Altíssimo: "Hoje eu tornei perfeita
para você sua religião, e tornei completo meu favor sobre você, e
aceitei para você o Islã como modo de vida." [5:4]. Após a
revelação desse nobre verso, não houve mais lugar para modificações ou
trocas. Essa gradação na implementação incluiu muitas leis religiosas
como aquelas relacionadas com o álcool, as heranças e outras.
Neste texto curto, nós
focalizamos o casamento temporário e o que se relaciona com ele em
termos de sabedoria prática* que tem
faltado às pessoas comuns, a tal ponto que facilitou a disseminação de
falsos clamores sobre a lei de Allah, O Altíssimo, mentiras sobre seu
Mensageiro
, e
ódio aos companheiros retos (r.a.a.).
O que é o casamento
temporário?
É um acordo entre duas partes de
um casamento por um tempo determinado. O casamento temporário era um
costume das nações orientais, e também era praticado por alguns homens
no início do Islã, em suas viagens e missões.
Abdullah Ibn 'Abbas (r.a.a.)
disse: "O casamento temporário existia no começo do Islã. Um homem
chega a uma cidade aonde não tem conhecidos, e assim ele se casa por
um tempo determinado pela sua permanência na cidade, e com isso a
mulher cuida de suas previsões e prepara seu alimento. Até que foi
revelado o versículo: ‘Exceto por suas esposas e aquelas que sua mão
direita possui.’" Ibn 'Abbas explicou que qualquer relacionamento além
desses é proibido. [narrado by Tirmizy]
Como o casamento temporário era
um costume dentre os árabes nos dias da ignorância, não teria sido
sábio proibi-lo a não ser gradualmente, como é o modo islâmico de
remover costumes pré-islâmicos que não são benéficos para o povo.
Está bem estabelecido que o
casamento temporário não é a favor do melhor interesse das pessoas
porque leva à perda da prole, usa a mulher para satisfazer à luxúria
dos homens e diminui o valor da mulher, que Allah honrou. Por isso o
casamento temporário foi proibido.
A evidência de sua
ilegalidade.
Nós demonstraremos – se Deus
assim o permitir – algumas das incontáveis evidências de sua
ilegalidade, para que sejam afastadas as acusações malignas que os
mal-orientados repetem contra Umar Ibnul Khattab (r.a.a.). Essas
pessoas clamam falsamente que foi ele que o proibiu quando era Califa.
Seu motivo para essa falsa acusação é o ódio cego por aqueles
companheiros do Mensageiro
que o socorreram, apoiaram e auxiliaram.
Allah O Altíssimo diz:
"Então, o que quer que vocês desfrutarem delas,
dêem-lhes sua recompensa, isso é uma obrigação." [4:24]. Esse é
o versículo no qual se baseiam aqueles que defendem o casamento
temporário. Eles se baseiam nisso seja por ignorância, seja para
enganar os demais, dando um sentido superficial ao versículo sem
fazerem referência à sua interpretação, e sem tornar acessível ao
público em geral a interpretação correta. O que se segue é a
interpretação correta, por diversas fontes respeitadas:
Imam Qurtuby diz no seu
comentário sobre esse versículo que o pagamento mencionado no contexto
é o dote; ele é chamado recompensa porque é uma gratificação pela
contentamento, pelo prazer **. Isso apóia
o conceito do dote ser uma recompensa.
Alhasan, Mujahid, e outros
dizem: O significado se reporta ao que você usufruiu de bom das
mulheres na sua união pelo casamento apropriado, por isso “dêem-lhes
sua recompensa” ou seja, seus dotes.
Ibn Khuwayz Mindad disse: Não
existe base e não é permitido usar esse versículo como uma permissão
para o casamento temporário, já que o Mensageiro de Allah
nos alertou contra isso e proibiu o casamento temporário segundo as
palavras de Allah, O Altíssimo: "Casem-se com elas
com a permissão de suas famílias." É natural que o casamento ocorra
com a permissão dos pais, em um casamento apropriado que tem um
protetor e duas testemunhas e o casamento temporário não é assim.
A`isha disse: "Foi proibido no Qur'an pelas palavras do Altíssimo: "E
aqueles que preservam sua partes íntimas, com exceção de suas esposas
e aquelas que sua mão direita possui, então eles
não serão repreendidos." [23:5]. O casamento temporário não é
considerado um casamento apropriado, e uma esposa não se encaixa na
categoria "daquelas que sua mão direita possui
***".
Ibn Katheer diz em seu
comentário sobre esse versículo: se você se deleita com elas, dê-lhes
seus dotes como o Altíssimo determinou: "dê as
mulheres seu dinheiro como um presente" [4:4]. Ele
interpretou a generalização nesse versículo como incluindo o casamento
temporário, mas com estas palavras: Sem dúvida [o casamento
temporário] era permitido no alvorecer do Islã, mas foi proibido logo
a seguir.
Ibn Jawzy diz sobre esse
versículo: alguns comentadores disseram : “esse versículo se refere ao
casamento temporário, e então foi ab-rogado pelo que o Profeta
recebeu
quando da proibição do casamento temporário”. Essa interpretação não
tem nenhuma base. O Profeta
o
permitiu e então o proibiu com suas próprias palavras, portanto a
proibição substitui a permissibilidade. Quanto ao versículo, ele não
toca no assunto do casamento temporário. Ele fala do deleite no
casamento apropriado."
Há uma imensa quantidade de
ditos do Mensageiro
que
proíbem o casamento temporário, e alguns Hadith incluem:
Segundo Sabra Bin Ma'had
AlJuhany que disse: “Eu estava com meu primo quando passamos por uma
mulher que gostou da minha juventude e do manto que meu companheiro
carregava. Assim ela propôs um casamento temporário comigo, tendo o
manto como dote. Eu me casei com ela e passei a noite em sua
companhia. Na manhã seguinte fui à Mesquita e ouvi o Mensageiro de
Allah
dizendo:
'Oh povo, eu tinha permitido o casamento
temporário, mas agora quem quer que esteja nessa situação, que se
afaste dela sem tomar de volta o que lhes deu, pois Allah, O Exaltado
e Majestoso, o proibiu até o dia da ressurreição.' " [narrado
por Muslim, Abu Dawood, Ibn Majah, Nasa`i, e Darimi]
Ali Bin Abi Taleb (r.a.a.)
disse que o Mensageiro de Allah
proibiu
o casamento temporário no dia de Khaybar e também proibiu alimentar-se
com a carne de camelos domésticos. [narrado por Bukhary, Muslim,
Tirmizy, Ibn Majah, Nasa`i, Tahawy, Shafi'i, Bayhaqy, e Hazimy]
Sufyan Althawry ouviu de Isma'il
Bin Umayya que ouviu de Alzahry que ouviu de Alhassan Bin Mohammad que
ouviu Ali (r.a.a.) dizer a um homem: "Você é uma pessoa em perdição,
pois o Mensageiro de Allah
proibiu
o casamento temporário e a carne dos camelos domésticos no dia de
Khaybar." [Narrado por Muslim e Bayhaqy]
Conforme Misdad Bin Masarhad que
ouviu de 'AbdulWareth que ouviu de Isma'il Bin Ummaya que ouviu
Alzahry dizer: "Nós estávamos com 'Umar Bin 'Abdul'Aziz e mencionamos
o casamento temporário, quando um homem chamado Rabee' Bin Sabra disse
a ‘Umar: 'Eu testemunho que de acordo com meu pai, o Mensageiro de
Allah
o proibiu
na peregrinação da despedida.' " [narrado por Abu Dawood e Imam Ahmad]
De acordo com Abu Huraira
(r.a.a.), o Mensageiro de Allah
proibiu
ou aboliu o casamento temporário, tanto sua união como seu divórcio,
período de espera e herança [narrado por DarQutny, Ishaq Bin Rahwiya,
e Ibn Habban]
Abu Bakr Bin Hafs relatou que
ouviu Ibn 'Umar dizer: "Quando Ali recebeu o Califato, ele agradeceu
Allah, O Altíssimo, e O louvou e disse: 'Oh povo, o Mensageiro de
Allah
permitiu
o casamento temporário três vezes e depois o proibiu. Eu juro por
Allah, e estou pronto a cumprir meu juramento, que se eu encontrar
alguém engajado em um casamento temporário sem tê-lo ratificado com o
casamento apropriado, eu o farei levar 100 chibatadas a não ser que
ele traga duas testemunhas que provem que o Mensageiro
o
permitiu depois de tê-lo proibido definitivamente.'
" [Ibn Majah]
Imam Muslim narrou segundo
Mohammad Bin 'Abdullah Bin Numayr que disse: "Meu pai nos relatou o
que ouviu de 'Ubaidullah que ouviu de Ibn Shahab, que ouviu de
Alhassan e 'Abdullah, os filhos de Mohammad Bin 'Ali, que ouviram de
seu pai, que ouviu de 'Ali (r.a.a.) que Ibn 'Abbas (r.a.a.)
estava sendo brando em relação ao casamento temporário, e por isso ele
disse, 'um momento, Ibn 'Abbas, o Mensageiro de Allah
o
proibiu no dia de Khaybar, quando ele também proibiu a carne dos
camelos domésticos.' "
Essas evidências ilustram a
retidão do consenso sobre sua proibição. Particularmente como 'Umar
Ibnul Khattab (r.a.a.) mencionou sua proibição no púlpito e
estabeleceu sua punição, e relembrou a congregação que o Mensageiro de
Allah
o havia
proibido e alertado enfaticamente contra sua prática, e isso em frente
a ambos, migrantes e auxiliadores. E ninguém discordou ou argumentou
contra, com todo o cuidado e atenção que tinham em ver a verdade
sempre revelada, e qualquer erro corrigido, como costumavam fazer com
todos os assuntos. Além disso, a proibição foi relatada por um grande
número de outros companheiros, além de 'Umar.
Sua proibição foi relatada por
'Ali Bin Abi Taleb, 'Abdullah Bin 'Umar, 'Abdullah Bin Mas'ud, 'Abdullah
Bin Alzubayr e 'Abdullah Bin 'Abbas, que confirmou a proibição ao ser
relembrado pelo relato dos demais. Esse também é o entendimento dos
seguidores, estudiosos e todos os Imams. São unânimes sobre o assunto.
Para rematar a pesquisa, abaixo
estão as opiniões dos quatro Imams; para que não reste nenhuma
desculpa.
Hanafi Mazhab: Declara no Fathul
Qadir que o casamento temporário é nulo, e define-se o casamento
temporário como aquele em que o homem diz à mulher que terá prazer com
ela tantas vezes, por uma determinada quantia em dinheiro. Também é
ditto no AlHashia, após a definição dos dois tipos de casamento
temporário, que esse é um contrato com uma mulher que é estipulado com
a intenção de não prover segurança ou sustento para uma possível
criança; ao contrário, é por um período fixado, e o casamento termina
com o fim do período, ou sem período fixado, com o homem ficando com a
esposa até decidir deixa-la, e então o contrato termina.
Shafi'i Mazhab: O casamento
temporário é aquele estabelecido por um período, de modo que se for
pedido a um guardião que case sua protegida por um mês, esse será um
casamento nulo.
Maliki Mazhab: O casamento
temporário é aquele com duração determinada, como quando se pede a um
guardião que permita que se case com sua protegida por um mês mediante
uma quantia; e mesmo havendo acordo o casamento é nulo, e ambos os
envolvidos estarão sujeitos a uma pena. Tal casamento é desfeito sem
divórcio, tenha ou não sido consumado.
Hanbali Mazhab: O casamento
temporário é um casamento por um tempo determinado ou não, e não faz
diferença se é denominado casamento ou não, ou se o homem pede à
mulher permissão para usufruí-la e ela diz que se dá para ele, sem um
guardião ou duas testemunhas. O casamento temporário tem duas formas.
Uma com final determinado e com a presença do guardião e duas
testemunhas, e outra chamada prazerosa (enjoyment) que não tem a
presença do guardião ou de testemunhas. Ambos os casos são inválidos.
Após a opinião dos quatro
Mazahib, nós relacionamos abaixo as opiniões de estudiosos de outras
Mazahib.
Ibn Hazm disse, "o casamento
temporário não é permitido; esse é um casamento de prazo fixado que
era permitido durante o tempo do Mensageiro
,
mas Allah o proibiu através de Seu Mensageiro
até
o dia da ressurreição."
Imam Shawkany: "Nossa adoração é
de acordo com o que aprendemos do Mensageiro
,
e temos certeza da autenticidade de sua eterna proibição do casamento
temporário. O fato de alguns companheiros não saberem disso não nega o
grande número de companheiros que sabiam e que agiram segundo a
proibição e a proclamaram."
Qady 'Ayyad disse: "Os
estudiosos chegaram a um consenso de que o casamento temporário foi um
tipo de casamento por tempo pré-determinado, sem herança, com a
separação ao fim do tempo acordado sem possibilidade de disputa; e que
foi proibido de acordo com a maioria dos estudiosos. Ibn 'Abbas o
permitiu até que ele tomou consciência da proibição e então a endossou
dizendo: "Se ocorrer agora, o casamento temporário é inválido,
independente de ter sido consumado ou não."
Imam Nawawy disse: "A verdade
sobre o assunto é que foi permitido e depois proibido em duas
ocasiões. Foi permitido antes de Khaybar, e então proibido; novamente
permitido no dia da liberação, o dia de Awtas, e novamente proibido
para sempre depois de três dias do evento."
Imam Bayhaqi disse: "Imam Ja'far
Bin Mohammad foi pergntado sobre o casamento temporário e disse: 'É
adultério.’”
Antes de terminarmos essa
pesquisa, vamos repetir as palavras do Imam Alfakhr AlRazy em resposta
àqueles que clamam que 'Umar acrescentou a proibição do casamento
temporário por si mesmo. E com isso eles o declaram um apóstata e
atribuem apostasia a todos que não o impediram: "Tudo isso está
errado. O que resta dizer é que o casamento temporário foi permitido
durante o tempo do Mensageiro
,
e eu o proíbo com o que chegou autenticamente até mim comprovando que
o Mensageiro de Allah
o
proibiu."
Desse modo vemos como o Islã
tratou a questão do casamento temporário e como ele foi proibido até o
dia da ressurreição, conforme nos chegou até os Ahadith autênticos.
Não há dúvida de que a reflexão a respeito desta breve mensagem levará
à conclusão de que o casamento temporário é proibido para aqueles que
crêem em Allah e estão livres da lealdade cega. Nós suplicamos a
Allah, O Altíssimo, que nos faça daqueles que ouvem Suas palavras e
seguem-nas do melhor modo.

***
“Aquelas que sua mão direita possui” são as cativas daquela época
do início do Islã e não têm absolutamente nenhuma similaridade com
qualquer trabalhadora assalariada, por mais humilde que seja.
A questão da escravidão foi outro
problema solucionado pelo Islã por etapas, para que os ex-cativos
e cativas pudessem encontrar amparo e viver com dignidade. Foi
muito diferente do final da escravidão em países como EUA e
Brasil, em que milhares e milhares de homens, mulheres e crianças
foram lançados à “liberdade” sem nenhum tipo de apoio ou
compensação, formando um grupo marginalizado e à mercê de qualquer
oferta de trabalho. [N.do T.]