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Silvia Salek, enviada especial a Nova York
Uma pesquisa recente, feita nos Estados Unidos, mostra que, de um ano
para cá, 57% dos muçulmanos em todo o país sofreram algum tipo de
preconceito relacionado aos atentados de 11 de setembro.
A pesquisa traduz em números casos como o de uma americana de origem
palestina que foi demitida porque seu chefe não queria conviver com a
suspeita de que ela estivesse comemorando os ataques ou o de uma muçulmana
que foi impedida de embarcar em um avião por causa do clima de tensão
que sua presença estava causando entre os passageiros.
Histórias como essas passaram a fazer parte do dia-a-dia dos cerca de
sete milhões de muçulmanos que vivem atualmente nos Estados Unidos.
Segundo a pesquisa, feita com 945 pessoas entre julho e agosto pelo
Conselho de Relações Islâmico-Americanas (Cair, na sigla em inglês),
87% dos entrevistados conhecem pelo menos uma pessoa que tenha sido vítima
de discriminação.
Tolerância
A pesquisa mostrou também que, apesar do aumento do preconceito, 79%
dos entrevistados disseram ter recebido manifestações de apoio de
americanos de outras religiões.
"Esse dado mostra que, apesar de estarmos atravessando um período
traumático, ainda há esperança se americanos que apóiam a tolerância
conseguirem falar mais alto do que uma minoria que incentiva a divisão
na sociedade", disse o diretor-executivo do Cair, Nihad Awad.
Representantes dessa minoria foram responsáveis, por exemplo, pelo
envio de milhares de e-mails para organizações como o Cair e o
American Arab Anti-Discrimination Committee, um grupo que luta contra a
discriminação de indivíduos de origem árabe.
"Vocês vão todos morrer nas mãos dos americanos", dizia um
dos e-mails anônimos recebidos desde o dia 11 de setembro de 2001 pelo
grupo, que tem sede em Washington.
Mas a caça às bruxas pós-atentados não faz vítimas apenas entre árabes
e muçulmanos.
Imigrantes como Bittu Sodhi, indiano e seguidor da religião sikh, foram
vítimas constantes de preconceito ao longo deste último ano por causa
de sua pele escura e da barba comprida.
Perfil eleitoral
O levantamento traçou também o perfil eleitoral da comunidade islâmica
nos Estados Unidos. Sete em cada 10 islâmicos ouvidos na pesquisa estão
cadastrados para votar ou vão se cadastrar antes das próximas eleições.
A pesquisa pedia ainda para que os entrevistados dissessem que partido
político representa melhor os interesses da comunidade muçulmana nos
Estados Unidos.
Desses, 16% citaram o Partido Democrata nesse quesito, 5% citaram o
Partido Verde e 3%, o Partido Republicano.
Esse dado pode representar uma mudança radical no perfil eleitoral dos
islâmicos que vivem nos Estados Unidos, já que a maioria dos
entrevistados afirmou ter votado em George W. Bush nas últimas eleições
presidenciais.
Segundo a pesquisa, 36% dos entrevistados votaram em Bush, enquanto
apenas 9% votaram no candidato democrata Al Gore.
A insatisfação com o atual governo republicano fez com que 66% dos
entrevistados dessem nota igual ou inferior a três, numa escala de 1 a
10, à administração Bush desde o 11 de setembro.
BBC
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