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Artigo do Arnaldo Jabor publicado n'O Globo no dia 22/ 10/ 2002.
Os terroristas querem matar
o amor e a alegria
A discoteca explodiu em sangue em Bali e eu pensei, com ódio, por um segundo:
“Por que não jogamos logo uma bomba atômica em Meca e torramos aqueles milhões
de árabes sujos?”
É assim que começa a avalanche do irracionalismo. O 11 de setembro foi um
ataque ao mercado e ao trabalho; Bali foi um ataque ao prazer, foi um ataque a
tudo que amamos: a alegria, o sexo, a música, a liberdade, a beleza. Para eles,
nós somos uns cães infiéis a destruir. E não tem negócio, não tem
papo-vaselina nem diplomacia, estamos condenados. Isso muda nossa vida, cultura,
política porque agora o mundo não se vê diante de um problema; o mundo se vê
diante do Insolúvel. Um problema pressupõe solução; mas não há mais solução.
O problema somos nós, os demônios que impedem o califado eterno de Alá. E não
só o terrorismo não tem solução. A migração de excluídos na Europa não
tem solução, não há solução para o Iraque, para o duelo Sharon-Arafat, não
há solução para Índia-Paquistão, nem para a África, nem para o tráfico, não
há solução nem no Rio nem na Colômbia, não há solução para a miséria,
para a imbecilização pela cultura de mercado para as massas. A própria idéia
de “solução” é Ocidental, do século XVIII. Para o Islã, não há nem
problema — tudo estava escrito. Os americanos, que vivem em função de
“resolver” as coisas, estão desesperados, pois terão de viver sem solução
— é o inferno dos obsessivos...
E daí? Bem, amigos leitores, vamos encarar: o mundo sempre foi uma bosta. Só
que, agora, parece que todos os tumores estão vindo a furo, todos os conflitos
estão explodindo. E tudo de repente, como um ataque epiléptico. De uma forma
repugnante, a verdade atual apareceu, pois nem lembrávamos da existência do
Islã. O terror insolúvel talvez nos torne mais humildes diante da vida.
Teremos de ficar mais “orientais”, mais “fatalistas”, mais conformados
com o erro do mundo. Acaba a idéia de que, um dia, chegaremos “lá”. Lá,
onde? A uma sociedade boa, justa, pacífica? “Nonada”, jamais.
Acabou a idéia de uma grande “pátria” ocidental-americana, organizando a
sociedade como um parque temático, um supermercado ou uma disneylândia. A
globalização só conseguiu “globalizar” o terrorismo, emprestando
tecnologia à miséria. Mandamos os McDonald’s; eles nos mandam homens-bomba.
O terror trouxe de volta uma neoguerra fria: o medo, a face da morte que andava
escondida, sublimada nos filmes, na gargalhada infinita do entertainment O
terror acabou com nossa idéia de “finalidade”, de “projeto”. Nosso
projeto foi reduzido a controlar os fanáticos da Al-Qaeda, os bodes pretos da
miséria e da superstição. Nosso projeto é localizar bueiros com bombas e
cartas venenosas. Esvaziou-se nosso desejo de tudo controlar, a busca do destino
sem acontecimentos, sem sustos, sem morte súbita. Acabou o happy end , a lógica,
o princípio, o meio e o fim.
A cultura de massas tenta controlar a morte por sua transformação em espetáculo.
A ficção dos filmes-catástrofe sublimava nosso medo. Agora, a morte não mais
estará num leito burguês com extrema-unção e família chorando, a morte será
um cachorro pelas ruas, atacando de repente. Como o filme realista que Osama
fez. Vai acabar aos poucos o sentimento ocidental de superioridade, acaba a
fleuma, a displicência debonnaire , acaba a coolness , pois o homem-bomba
desbancou o homem-cool ; surgiu o horrendo “outro”, sujo e mortífero,
suicidando-se às gargalhadas. O terror está nos fazendo viajar no tempo. Em
trinta minutos, fomos jogados de volta à Idade Média, terminando com o ritmo
veloz do progresso e instalando a paciência oriental, a lentidão da vingança
fria.
Acabou o drama, esse “banho-maria” da infelicidade. Agora, ou teremos tragédia
ou chanchada. A arte ficou inútil, quase ridícula diante das “instalações”
terroristas, os defensores dos direitos humanos ficaram de mãos abanando, acaba
a melancolia diante da realidade bruta, o surrealismo virou piada diante das
ondas de antrax, o mito do indivíduo livre e indivisível dará lugar ao indivíduo
esfacelado por bomba, coberto de pizzas sangrentas, os mortos caídos sob a música
tecno em Bali, no mais belo lugar do mundo, assassinados por um DJ suicida.
Acabaram os frutos produtivos da reforma protestante do século XVI.
Osama nos joga de volta ao ano 700, quando surge o guerreiro Maomé para iniciar
uma guerra desigual que rola há mais de mil anos, sem que percebêssemos —
uma guerra desigual: o Deus ocidental passivo diante do violento Maomé, armado
até os dentes.
Os fanáticos do Islã não querem construir nada. Já estão prontos. Já
chegaram lá. Já vivem na eternidade. Querem apenas destruir o demônio — que
somos nós. A guerra é assimétrica não só pelos absurdos exércitos caríssimos
contra um só homem invisível, mas também porque só a America tem uma
ideologia. Eles têm a teologia. Tanto o socialismo como o capitalismo surgiram
do racionalismo ocidental. O Islã chega e acaba com a filosofia; fica só vida
contra morte. O Islã transcendeu o político há muito tempo. Suas multidões
jazem na miséria felizes, conformadas, perfazendo um ritual obsessivo cotidiano
que os libertou da dúvida e do medo. Sua obediência ao Corão lhes ensina
tudo, desde como cortar as unhas até como matar “cães infiéis”. Os miseráveis
amam a própria miséria. Sua fé sem limites é a grande alegria e sossego das
classes dominantes teocráticas e petrolíferas.
Albert Camus disse: “O suicídio é a grande questão filosófica de nosso
tempo” e não sabia que estava sendo profético. Descreveu também o mito de Sísifo,
o homem condenado pelos deuses a rolar eternamente uma pedra morro acima. É o
nosso novo destino. O único jeito é sermos felizes assim mesmo. Como ele
escreveu: “É preciso imaginar Sísifo feliz...” Nossa felicidade terá a
morte sempre do lado. “Il faut imaginer Sysiphe heureux...”
Minha Resposta ao Artigo do Jabor
Rio de Janeiro, 22 de outubro de 2002.
Senhor Editor,
A propósito do artigo "Os terroristas querem matar o amor e a
alegria", publicado no Segundo Caderno da edição do dia 22/10/02, de
autoria do sr. Arnaldo Jabor, quero apresentar o meu mais veemente repúdio à
forma pela qual o autor se referiu aos árabes, de um modo geral, e ao Islam, em
particular, demonstrando não só arrogância e prepotência mas, também, ignorância
ou, quem sabe, má-fé.
Ao verbalizar seu ódio (medo???) contra o que não conhece “Por que não
jogamos logo uma bomba atômica em Meca e torramos aqueles milhões de árabes
sujos?”, o autor, além da grosseria e estupidez, incorre em um dos erros mais
comuns que é a associação do Islam com a cultura árabe. Apesar de o Islam
ter surgido na península arábica e de ter na língua árabe o seu fator de
unidade, o árabes representam uma minoria nesse universo, menos de 18% do
total. O próprio uso da palavra árabe, na forma como empregada pelo
articulista, expressa preconceito fruto da ignorância, pois coloca sob o mesmo
denominador muçulmanos de diversas etnias, como os africanos, turcos, persas,
curdos, arianos, etc. e desconhece suas origens, culturas, tradições, especificidades.
Para desespero do articulista, e sem a intenção de aumentar o seu pânico,
informo que os muçulmanos estão por toda a parte, inclusive aqui no Brasil
onde, de norte a sul do país, sempre é possível topar com um. Aliás, hoje,
seguramente, em cada quatro seres humanos do planeta um é muçulmano.
O que mais espanta é o fato de estarmos em pleno século XXI e ainda
impregnados do viés do etnocentrismo, este sim anacrônico, estúpido, obsessivo,
que decreta a “superioridade” da cultura ocidental sobre um oriente onde
supostamente predominam a barbárie, o atraso, os “árabes sujos”, os
“fatalistas”, os “obsessivos”. São raciocínios simplistas como estes
que dificultam a compreensão e a aceitação do outro, do diferente e
determinam um destino inexorável para milhões de pessoas cujo único crime é
ser diferente do “homem branco”.
Como no século XIX, continuamos a impor nossa maneira de ver o mundo, os nossos
valores, a nossa cultura, nas palavras do articulista “tudo aquilo que amamos,
a alegria, o sexo, a música, a liberdade, a beleza”, estes sim, os legítimos
e verdadeiros. Os muçulmanos sequer têm o direito de não gostar de MacDonald’s
ou de rejeitar a decadência de um mundo impregnado de drogas, prostituição,
falência moral, injustiça social. E, no entanto, muito de nosso cotidiano é
devido à cultura islâmica que dominou o ocidente por muito tempo e que deixou
marcas profundas no processo de formação das sociedades ocidentais modernas,
através da língua, literatura, arquitetura e religião, quer se queira ou não,
quer se goste ou não.
Porém, o que é passado pela mídia são costumes estranhos à cultura
ocidental, é o exotismo de mulheres cobertas, homens barbados, camelos e
bazares. Intencionalmente, retira-se desses homens e mulheres qualquer vestígio
de identidade de quem tem uma história, um passado, antecedentes para
simplesmente rotulá-los de “terroristas”, “fanáticos”, “árabes
sujos”, e outros adjetivos do tipo. Ao confundir Islam com costumes incorre o
autor em erro grosseiro e desqualifica o Islam como fenômeno histórico,
representado pelos seus 14 séculos de história (que por certo não se apagam
com uma bomba atômica) e seus quase 1.500 bilhão de muçulmanos.
O que não é dito é que grupos como o Abu Sayaf ou Al-Qaeda, em nada diferem
de tantos outros espalhados pelo mundo, na medida em que são o resultado das
condições incertas do mundo moderno. Movimentos semelhantes podem ser
encontrados em outros países e entre as muitas religiões do mundo e não
imaginamos que eles possam ameaçar a hegemonia das grandes potências. Só nos
Estados Unidos, são mais de 100 organizações de extrema direita legalmente
autorizadas a funcionar. A explosão do prédio de Oklahoma, os choques entre
protestantes e católicos irlandeses, os cristãos americanos que bombardeiam clínicas
de aborto, hindus que atacam mesquitas muçulmanas, judeus ultra-ortodoxos que
atiram pedras em mulheres que andam pelas ruas vestindo calças ou mangas
curtas, até mesmo o atirador solitário espalhando o medo na região de
Washington, enfim, todos são a expressão contemporânea da intolerância e,
nesse sentido, têm mais em comum com um Talebã do que eles percebem, e muito
menos a ver com o Islam, como somos levados a supor.
Todos esses movimentos, apesar de suas diferenças externas, são uma reação
às dramáticas mudanças sociais, políticas e econômicas que vêm ocorrendo
nos últimos 150 anos. As transformações são rápidas, adquiriram uma dinâmica
própria e escapam ao controle de qualquer país, por mais poderoso que possa
ser o estado hegemônico. Os muçulmanos em geral acalentam o sonho legítimo do
estado islâmico, mas percebem que esse sonho vai ficando cada vez mais
distante, diante do avanço inexorável de uma civilização global secular
agressiva e tecnologicamente mais avançada, que passa feito trator sobre
valores que, por mais estranhos que sejam, são deles, muçulmanos.
Quando se olha para as atrocidades e tragédias humanas da história recente,
que contam com a participação direta ou indireta da ONU, da civilizada
comunidade internacional e dos Estados Unidos, imagino qual a superioridade
cultural, competência, autoridade moral, capacidade de julgamento dessas
pessoas para estabelecer princípios de justiça humana e prioridades ou baixar
sentenças sumárias em relação aos povos muçulmanos, em geral.
As sanções impostas pela ONU são responsáveis pela morte de milhões de muçulmanos
em todo o mundo. Milhões de pessoas são abatidas como animais, no mundo
inteiro, por sionistas, russos, americanos, chineses, franceses, etc. Segundo
dados da própria ONU, mais de 5.000 crianças iraquianas morrem mensalmente de
desnutrição e doenças provenientes da falta de saneamento básico e de água
potável, decorrente das sanções impostas por essa mesma ONU.
Que mundo civilizado é esse que se cala ante o massacre de milhares de
chechenos, de outros tantos afegãos, dos milhares de muçulmanos mortos,
torturados e violentados na Caxemira, dos milhares de jovens palestinos que
perderam a capacidade de sonhar por um futuro melhor, encurralados que estão
por um processo sistemático de expansão e ocupação sionista, dos milhões de
curdos que vagueiam pelo mundo sem direito a uma pátria?
Quem merece ser “torrado” por uma bomba atômica?
Mônica Muniz.
Em resposta ao artigo "Os Terroristas querem matar o amor e a
alegria" por Arnaldo Jabor, publicado no caderno 2 do Estado de São Paulo,
terça-feira, 22/10/2002.
Sr. Jabor, você sabe mesmo de que e de quem está falando?
Eu olho para este seu olhar cínico e debochado e associo imediatamente ao estúpido
artigo que você escreveu, e “pensei, com ódio, por um segundo: Como pode
haver neste mundo, jornalistas, comentaristas, pensadores e intelectuais, tão
ignorantes, superficiais, imbecis e imbecilizantes, desinformados e mal
formados, arrogantes e preconceituosos?”.
E ainda tomada por um instante
de cólera, prossegui em meu pensamento; “Porque não jogamos logo uma bomba
com uma boa dose astronômica de bom-senso, de coerência, informação com
conhecimento, de tolerância, de reconhecimento e respeito às diferenças e
torramos a ignorância e a burrice, se me permitem, desses formadores de opiniões
manipuladores, sujos e preconceituosos?”.
Talvez até mesmo sem nem perceber, o Sr. Jabor foi ele mesmo muito mais
"fatalista" que ele julgou ser aqueles "árabes sujos",
terroristas, fanáticos e miseráveis.
Trágica, senão melancólica sua visão diante do "Insolúvel", em? Não há solução para nenhum dos problemas que o belo Ocidente democrático, distribuidor da tecnologia, dos valores nobres, do amor e da alegria, da liberdade desencadeou e resolveu esquecer por este mundo afora?
Vocês não mandaram McDonald's e foram injustamente retribuídos com homens bomba, como afirmou em seu artigo. Vocês mandaram a miséria, as guerras, à injustiça, à intolerância, o colonialismo, o imperialismo, a dominação, a agressão e a repressão e diante de tanta revolta, quando esses jovens se viram desprovidos de tudo, de terra, de casa, de família, de comida, de dignidade humana, de justiça, de paz , de esperança, eles lutaram com a única coisa que ainda lhes deixaram, mas que já não valia mais a pena diante da selvageria e da barbárie ocidental e israelense: a própria vida.
É evidente que isto, tragicamente, custa o sangue de inocentes que respinga nos rostos dos verdadeiros terroristas e criminosos disfarçados de amantes e defensores da paz e da ordem mundial; mas eles limpam este sangue passando a mão como se não fosse com eles e ainda esbravejam: "Nós precisamos acabar com o terror". É a guerra ao comunismo, é a guerra ao terror e as vítimas são sempre aqueles miseráveis, esfomeados, abandonados e excluídos dessa frenética e desumana ordem mundial, que na opinião do Sr. Jabor "amam sua própria miséria". Blaming the victims!!!
Realmente, como o autor afirmou, estamos viajando no tempo, e nesses 10 minutos que levei lendo seu artigo tive a certeza de que, de fato, "fomos jogados de volta à Idade Média", no entanto, não por interromper "o ritmo veloz do progresso e instalando a paciência oriental, a lentidão da vingança fria", mas antes sim, por termos que lidar com versões, visões e preconceitos que foram fabricados e moldados desde a Idade Média. Quem melhor que o ilustre Edward Said, em sua maravilhosa e erudita obra "Orientalismo - O Oriente como invenção do Ocidente", para nos ensinar como o Ocidente foi representando os povos orientais, com todo seu preconceito, em especial, os povos muçulmanos, e atribuindo-lhes características, as quais acreditamos ser "verdadeiras" hoje, mas que tem raízes nas construções pré-concebidas da Europa na Idade Média.
Aliás, Sr. Jabor, o seu texto está repleto deles, em?!! Os adjetivos que o Sr. usa, encontrei-os todos no livro de Said, cunhar os muçulmanos de "fatalistas", o que não corresponde à realidade de sua crença religiosa,data de uma tradição que vem desde a Idade Média; “a paciência oriental e a lentidão da vingança fria" e todo o abastecimento ideológico, imaginário e fantasioso que o Sr. tem em mente acerca deste Oriente tenebroso, selvagem e cruel só me faz ter a certeza de que o Sr. é um verdadeiro herdeiro deste pensamento e dessas atitudes orientalistas que, como bem aponta Said, "(...) povoam a imprensa e a mente popular. Os árabes, por exemplo, são vistos como libertinos montados em camelos, terroristas, narigudos e venais cuja riqueza não merecida é uma afronta à verdadeira civilização. (...) Não existe hoje um melhor exemplo do que Anwar Abdel Malek chamou de” hegemonismo das minorias possuidoras e de antropocentrismo aliado ao eurocentrismo : uma classe média branca ocidental que acredita ser a sua prerrogativa humana não apenas administrar o mundo não-branco, mas também possuí-lo, apenas porque, por definição, “ele” não é tão humano quanto "nós" somos. Não há um exemplo de pensamento desumanizado mais puro que este.’’ (1990:117).
“O que importa aqui é que a
Ásia fala por meio e em virtude da imaginação européia, que é representada
como vitoriosa sobre a Ásia, aquele” outro “mundo hostil do outro lado dos
mares." (1990:66)
Nada mudou de lá para cá, o seu artigo contém nas entrelinhas o mesmo que
Balfour e Cromer acreditavam : “O oriental é irracional, depravado (caído),
infantil, (diferente); desse modo, o europeu é racional, virtuoso, maduro,”
normal “." (idem : 50).
Ah ! É claro, sr. Jabor, até Maomé, diga-se de passagem, quem o sr. conhece tão mal, pelo que pudemos notar, também é fruto desta tradição orientalista medieval ,a qual acabei de traçar rapidamente. O nome do PROFETA, deste homem simples, nobre, humilde e PACÍFICO, e não de um deus que você quis mal equacionar, comparando-o com o “Deus ocidental passivo”, é Mohamad ou Muhamad. Porém, no intuito de difamá-lo e difamar a religião, os europeus deformaram até seu próprio nome. Desse modo, encontramos nas enciclopédias européias os nomes Maomé, Maoma, Mafoma, todos nomes depreciativos.Maometano é a designação européia insultante ; quem segue o Islã é muçulmano, crê e se submete a um único Deus e não a Muhamad – e por favor , muito menos a Maomé – visto como um simples homem que trouxe uma mensagem de Deus à humanidade, assim como todos os outros profetas.
Muhamad não é nem violento, nem “armado até os dentes”, ele é sim autor de um sem número de frases as quais o sr. certamente não conhece, como esta: “Não é verdadeiro crente aquele que não deseja ao próximo o mesmo que deseja a si mesmo.” O Alcorão, ensinado por Muhamad aos muçulmanos, traz um versículo que diz : “Quem matar uma pessoa ,sem causa justa, é o mesmo que tivesse assassinado toda a humanidade e quem salvar uma vida é o mesmo que tivesse salvo toda a humanidade.” (surata 5:32).
Muhamad precisou lutar sim, guerrear contra os coraixitas e outros idólatras que perseguiam e matavam os muçulmanos , portanto , em legítima defesa . Suas atitudes em guerra não eram de um violento sanguinário, mas de um sábio e clemente profeta, que disse aos inimigos que os perseguia, quando estes foram cercados pelos muçulmanos: “O que esperam que façamos com vocês ? (...) podem ir, vocês são livres.” Os muçulmanos queriam tão somente que fossem deixados livres e em paz para adorarem o único Deus , criador de tudo e de todos. Defender a si mesmo, a sua terra e o seu povo, não é ser guerreiro, nem violento, é ser, no mínimo, coerente.
Bem, mas voltando a sua descrença
na possibilidade de resolver os problemas, nós muçulmanos e outros milhões de
não muçulmanos acreditamos sim na possibilidade humana de transgredir, de
sonhar , de vislumbrar um mundo melhor e chegar lá, onde? Não sei, mas
certamente a uma sociedade e a um mundo bem diversos dos quais vivemos. E digo
mais : contrariamente ao que pensa o sr., para o islã há problemas e há soluções
sim, o que não existe é esta ficção novelística de que “tudo estava
escrito”,(é, o clone cumpriu sua parte!) porque nós somos quem escreve e
dirige nossas vidas e tomamos decisões o tempo todo; não somos essas antas
passivas que o sr. e outros do gênero imaginam. Para ilustrar, um dos problemas
que o islã tem hoje , sr. Jabor, é ter de lidar com este pensamento que –
este sim – assombra o mundo, carregado de preconceito , de desconhecimento ,
de arrogância que bestializa e demoniza não só os muçulmanos, mas os vários
“outros” que não (re) conhecemos; e o sr. infelizmente, representa esta mídia
que constrói e narra o mundo reforçando os preconceitos, a cada instante,
tornando tudo superficial, instantâneo e insignificante.
Mohamad ziad.